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segunda-feira, 27 de junho de 2011
sábado, 9 de abril de 2011
sexta-feira, 1 de abril de 2011
domingo, 13 de março de 2011
Pink Floyd - Another Brick in the Wall - Partes 1 e 2
" (...) E a educação, por sua vez, uma declaração da incompetência social das massas e uma aposta na ditadura do "professorado" (déspotas ilustrados), guardiões da razão, das maneiras e do bom gosto. Não é de se estranhar, portanto, que Bauman, nesse livro, tenha concebido a educação escolarizada como o conceito e a prática de uma sociedade amplamente administrada".
[...] é ensinar a obedecer. O instinto e a vontade de acatar, de seguir as ordens, de fazer o que o interesse público, tal como o definem os superiores, exige que se faça, eram as atitudes que mais necessitavam os cidadãos de uma sociedade planificada, programada, exaustiva e completamente racionalizada. A condição que mais importava não era o conhecimento transmitido aos alunos, mas a atmosfera de adestramento, rotina e previsibilidade em que se realizaria a transmissão deste conhecimento. [...] O tipo de conduta que concordaria com o interesse público seria determinado pela sociedade previamente a toda ação individual, e a única capacidade que os indivíduos necessitariam para satisfazer o interesse da sociedade era a da disciplina. (Bauman, 1997, p.108)
[...] Bauman retoma essa interpretação da educação escolarizada como fábrica da ordem, destinada à produção de corpos dóceis, disciplinados e eficientes, e a analisa levando-se em conta a "transição da modernidade sólida à modernidade líquida [...].
Referências: Bauman & a Educação
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sexta-feira, 11 de março de 2011
The edukators - Hallelujah
Assisti duas vezes a este filme, The edukators... ameeei! Hallelujah é uma música muito linda, embora na sua tradução a letra seja voltada a Deus, traçando um paradoxo entre o tema do anarquismo e a religião, mas ficou muito bem colocada em duas principais cenas do filme. Aqui o vídeo foi montado apenas com as cenas de amor entre dois dos três protagonistas. O filme é muito mais que isso. Neste vídeo houve uma diluição, um reducionismo da sua temática política. Pra quem ainda não o viu, não perca tempo.
O filme “The Edukators” (Os Edukadores), direção de Hans Weingartner, com Daniel Brühl, Julia Jentsch, Stipe Erceg e Burghart Klaußner, faz alusão ao Anarquismo. Esse filme constitui-se numa metáfora pós-moderna dos ideais revolucionários de três jovens sonhadores. Inicialmente dois japazes rebeldes e conscientes politicamente da exploração econômica do homem pelo homem decidem agir a favor da transformação social. Logo após, há a adesão de Jule, namorada de Petter, ao grupo, uma garota que tinha de pagar judicialmente uma dívida monstruosa relativa a uma batida de carro. A lógica é esta: não se renderem ao sistema. Iniciar uma "revolução", antes de tudo, interna; acreditar na igualdade de condições entre as pessoas. Para isso, exercem militância política, distribuem panfletos e apresentam um discurso transparente, perpassando nele opiniões contrárias às dos donos dos meios de produção, ou seja, seus argumentos são explicitamente contra a exploração do homem pelo capital e de tudo que o sistema capitalista espolia do ser humano, principalmente o roubo da infância pelo trabalho infantil, o egoísmo, o individualismo, o cunsumismo, etc. Sua prática notívaga resume-se à invasão de mansões luxuosas, obviamente na ausência de seus moradores, com o intuito de “detonar” todos os móveis e objetos internos das moradias, sem a sua apropriação para venda, sem roubá-los. No final da implantação do “caos” nas residências, esse grupo deixa seu rastro através de mensagens assinadas como “Edukators”. A finalidade é a de promover a insegurança em seus moradores e mostrar que eles podem fazer uma certa "pressão social" por meio da destruição desses bens de consumo. Como sabemos, esse belo gesto revolucionário não torna menos ilícita a sua prática numa sociedade capitalista, uma vez que a própria incursão clandestina aos imóveis é considerada um ato criminoso diante das leis vigentes na Alemanha ou em outro país qualquer do mundo imperialista. Na verdade, esta é uma prática que pretende chamar a atenção dos burgueses em relação ao luxo, ao supérfluo, às suas convenções sociais, ao consumismo desenfreado. O filme, em certa medida, é uma faca de dois gumes, e seus personagens adentram num campo onde a propriedade privada, os direitos alheios, os privilégios, os direitos e deveres sociais e as injustiças são questionados filosoficamente. Digamos, que os personagens são corajosos e bem intencionados, porém ingênuos diante da ferrenha defesa do deus-capital-social. Ficam nítidos o combate ao consumismo e à desigualdade de renda na sociedade. Eles voam como borboletas libertárias coloridas num jardim cinzento plantado em nome do lucro. Arriscam as suas próprias vidas em nome de seus sonhos, ignorando o universo de atitudes decorrentes e inesperadas de cada ação. Só temos que cuidar para não interiorizarmos aquela mensagem subliminar que está disseminada na sociedade, isto é, o clichê de que os anarquistas só fazem bagunça, barulho e terrorismo. O filme passa uma mensagem de inconformismo e de mil possibilidades no que se refere à descoberta das fendas do sistema e de sua penetração política para uma mudança significativa: aquela que parte da atitude concreta, da ação direta de cada um de nós.
Tânia Marques 04/08/09
quinta-feira, 10 de março de 2011
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
Guy Debord e o Situacionismo
Guy Debord e o Situacionismo
Resumo escrito por: Kerouak
A postura revolucionária, no quotidiano ocidental, tem sofrido grandes abalos. Devido, particularmente, ao crescimento econômico que entorpece a consciência das massas, aparentemente satisfeitas com a melhoria material das suas vidas. Pergunta-se, no entanto, se o ser humano é feliz, e vive em pleno a sua vida, o seu tempo? Quando aparece alguém a pôr em causa o sistema dominante, torna-se urgente, para a ordem vigente, sinalizar esses indivíduos, e ainda bem…
Em termos gerais, as teorias de Debord atribuem a debilidade espiritual, tanto das esferas públicas, quanto da privada, a forças econômicas que dominam a Europa após a modernização decorrente do final da Segunda Guerra.
Ele posiciona-se do outro lado da barricada, em relação ao capitalismo de estado do bloco socialista e, ao capitalismo do mercado ocidental, considerando-as as duas faces do mesmo problema – a alienação sentida pelas populações – atribuída por Debord às forças do Espectáculo. Uma forma mercantilista de a classe burguesa dominar o proletariado. “Toda a vida das sociedades nas quais reinam as condições modernas de produção se anuncia como uma imensa acumulação de Espectáculos. Tudo o que era diretamente vivido, se afastou numa representação” (Tese 1 “A Sociedade do Espectáculo”, Guy Debord).
Debord não se considerava um filósofo ou director, mas sim um estratega, um general. Ele exorta as massas a agir contra qualquer tipo de opressão do sistema. A insubmissão é a via indicada para destruir a ordem, “O nosso ofício é destruir o mundo.” (“Enganar a Fome”, Guy Debord, Ed. Frenesi, Junho 2000).
“O Espectáculo – diz Debord – consiste na multiplicação de ícones e imagens, principalmente através dos meios de comunicação de massa, mas também dos rituais políticos, religiosos e hábitos de consumo de tudo aquilo que falta à vida real do homem comum: celebridades, atores, políticos, personalidades, gurus, mensagens publicitárias – tudo transmite uma sensação de permanente aventura, felicidade, grandiosidade e ousadia. O Espectáculo é a aparência que confere integridade e sentido a uma sociedade que desenvolveu ao extremo o fetichismo da mercadoria”.
Desta maneira, as relações entre as pessoas transformam-se em imagens e Espectáculo. O Espectáculo não é um conjunto de imagens, mas uma relação social entre pessoas, mediada por imagens, argumenta Debord. O consumo e a imagem ocupam o lugar que antes era do diálogo pessoal, através da TV. e outros meios de comunicação de massas, que produz o isolamento e a separação social entre os seres humanos. A sociedade transforma-se numa Sociedade do Espectáculo, onde a continua reprodução da cultura é feita pela proliferação de imagens e mensagens dos mais variados tipos. A consequência é uma vida contemporânea exposta e invadida pelas imagens, operacionalizando um novo tipo de experiência humana, caracterizada por um modo de percepção, no qual é cada vez mais difícil separar a ficção da realidade. O Espectáculo é a perda, a falsificação do mundo, trata-se de uma experiência vivida pelos outros, que reduz o carácter lúdico da vida.
Guy Debord assume uma postura de resistência ao mundo completamente mercantilizado, mas sugere, contudo que uma outra forma de vida é possível. A exploração de um território desconhecido impõe-se, descolonizando o quotidiano e ocupar um espaço físico que possibilite a construção experimental de uma nova realidade – para tal Debord preconiza transformar a memória em real e o real em possível. Todos temos que dar o nosso contributo, transformando-nos em artistas da vida quotidiana.
Debord assume uma crítica radical contra qualquer tipo de imagem, que leve o homem à passividade e à aceitação dos valores preestabelecidos pelo capitalismo. Para este, a sociedade está contaminada pelas imagens – sombras do que efectivamente existe, onde se torna mais fácil ver e verificar a realidade no reino das imagens e não no plano da própria realidade. “Lá onde o mundo real se converte em simples imagens, as simples imagens tornam-se seres reais e motivações eficientes de um comportamento hipnótico.” (Tese 18 – “A Sociedade do Espectáculo, Guy Debord). Debord sustenta que no plano das técnicas, a imagem construída e escolhida por outra pessoa tornou-se a principal ligação do indivíduo com o mundo que antes, ele olhava por si mesmo, de cada lugar aonde pudesse ir. A partir de então, é evidente que a imagem é possível justapor sem contradição qualquer. O fluxo de imagem carrega tudo: outra pessoa comanda a seu bel-prazer esse resumo simplificado do mundo sensível, escolhe aonde irá esse fluxo, e também o ritmo do que deve aí manifestar-se, como perpetua surpresa arbitrária que não deixa nenhum tempo para reflexão, tudo isso independe do que o Espectador possa entender ou pensar.
Para Debord nenhuma imagem é inocente, ela integra o contexto social; cada imagem é uma revelação, tem uma essência própria. Ele reconhece ao cinema um carácter messiânico (milagroso). Utiliza-o como técnica operativa para intervir no presente. Trata-se para ele de destruir os códigos a partir do seu interior, rompendo com toda a fascinação espectacular e sistematicamente dissocia a imagem e o som, afirmando o primado do pensamento sobre o visual, frequentemente graças a imagens ou a planos subvertidos.
Debord apropria-se de material cinematográfico, descontextualizando e recontextualizando num discurso próprio, criando condições de pensamento sobre as imagens. Através da montagem cria imagens dialéticas com carregada tensão dramática.
Guy Debord e o Situacionismo Originalmente publicado no Shvoong: http://pt.shvoong.com/social-sciences/sociology/2094378-guy-debord-situacionismo/
Você pode conferir o manuscrito do filme no seguinte site:
http://www.reocities.com/projetoperiferia4/critica.htm
Resumo escrito por: Kerouak
A postura revolucionária, no quotidiano ocidental, tem sofrido grandes abalos. Devido, particularmente, ao crescimento econômico que entorpece a consciência das massas, aparentemente satisfeitas com a melhoria material das suas vidas. Pergunta-se, no entanto, se o ser humano é feliz, e vive em pleno a sua vida, o seu tempo? Quando aparece alguém a pôr em causa o sistema dominante, torna-se urgente, para a ordem vigente, sinalizar esses indivíduos, e ainda bem…
Em termos gerais, as teorias de Debord atribuem a debilidade espiritual, tanto das esferas públicas, quanto da privada, a forças econômicas que dominam a Europa após a modernização decorrente do final da Segunda Guerra.
Ele posiciona-se do outro lado da barricada, em relação ao capitalismo de estado do bloco socialista e, ao capitalismo do mercado ocidental, considerando-as as duas faces do mesmo problema – a alienação sentida pelas populações – atribuída por Debord às forças do Espectáculo. Uma forma mercantilista de a classe burguesa dominar o proletariado. “Toda a vida das sociedades nas quais reinam as condições modernas de produção se anuncia como uma imensa acumulação de Espectáculos. Tudo o que era diretamente vivido, se afastou numa representação” (Tese 1 “A Sociedade do Espectáculo”, Guy Debord).
Debord não se considerava um filósofo ou director, mas sim um estratega, um general. Ele exorta as massas a agir contra qualquer tipo de opressão do sistema. A insubmissão é a via indicada para destruir a ordem, “O nosso ofício é destruir o mundo.” (“Enganar a Fome”, Guy Debord, Ed. Frenesi, Junho 2000).
“O Espectáculo – diz Debord – consiste na multiplicação de ícones e imagens, principalmente através dos meios de comunicação de massa, mas também dos rituais políticos, religiosos e hábitos de consumo de tudo aquilo que falta à vida real do homem comum: celebridades, atores, políticos, personalidades, gurus, mensagens publicitárias – tudo transmite uma sensação de permanente aventura, felicidade, grandiosidade e ousadia. O Espectáculo é a aparência que confere integridade e sentido a uma sociedade que desenvolveu ao extremo o fetichismo da mercadoria”.
Desta maneira, as relações entre as pessoas transformam-se em imagens e Espectáculo. O Espectáculo não é um conjunto de imagens, mas uma relação social entre pessoas, mediada por imagens, argumenta Debord. O consumo e a imagem ocupam o lugar que antes era do diálogo pessoal, através da TV. e outros meios de comunicação de massas, que produz o isolamento e a separação social entre os seres humanos. A sociedade transforma-se numa Sociedade do Espectáculo, onde a continua reprodução da cultura é feita pela proliferação de imagens e mensagens dos mais variados tipos. A consequência é uma vida contemporânea exposta e invadida pelas imagens, operacionalizando um novo tipo de experiência humana, caracterizada por um modo de percepção, no qual é cada vez mais difícil separar a ficção da realidade. O Espectáculo é a perda, a falsificação do mundo, trata-se de uma experiência vivida pelos outros, que reduz o carácter lúdico da vida.
Guy Debord assume uma postura de resistência ao mundo completamente mercantilizado, mas sugere, contudo que uma outra forma de vida é possível. A exploração de um território desconhecido impõe-se, descolonizando o quotidiano e ocupar um espaço físico que possibilite a construção experimental de uma nova realidade – para tal Debord preconiza transformar a memória em real e o real em possível. Todos temos que dar o nosso contributo, transformando-nos em artistas da vida quotidiana.
Debord assume uma crítica radical contra qualquer tipo de imagem, que leve o homem à passividade e à aceitação dos valores preestabelecidos pelo capitalismo. Para este, a sociedade está contaminada pelas imagens – sombras do que efectivamente existe, onde se torna mais fácil ver e verificar a realidade no reino das imagens e não no plano da própria realidade. “Lá onde o mundo real se converte em simples imagens, as simples imagens tornam-se seres reais e motivações eficientes de um comportamento hipnótico.” (Tese 18 – “A Sociedade do Espectáculo, Guy Debord). Debord sustenta que no plano das técnicas, a imagem construída e escolhida por outra pessoa tornou-se a principal ligação do indivíduo com o mundo que antes, ele olhava por si mesmo, de cada lugar aonde pudesse ir. A partir de então, é evidente que a imagem é possível justapor sem contradição qualquer. O fluxo de imagem carrega tudo: outra pessoa comanda a seu bel-prazer esse resumo simplificado do mundo sensível, escolhe aonde irá esse fluxo, e também o ritmo do que deve aí manifestar-se, como perpetua surpresa arbitrária que não deixa nenhum tempo para reflexão, tudo isso independe do que o Espectador possa entender ou pensar.
Para Debord nenhuma imagem é inocente, ela integra o contexto social; cada imagem é uma revelação, tem uma essência própria. Ele reconhece ao cinema um carácter messiânico (milagroso). Utiliza-o como técnica operativa para intervir no presente. Trata-se para ele de destruir os códigos a partir do seu interior, rompendo com toda a fascinação espectacular e sistematicamente dissocia a imagem e o som, afirmando o primado do pensamento sobre o visual, frequentemente graças a imagens ou a planos subvertidos.
Debord apropria-se de material cinematográfico, descontextualizando e recontextualizando num discurso próprio, criando condições de pensamento sobre as imagens. Através da montagem cria imagens dialéticas com carregada tensão dramática.
Guy Debord e o Situacionismo Originalmente publicado no Shvoong: http://pt.shvoong.com/social-sciences/sociology/2094378-guy-debord-situacionismo/
Você pode conferir o manuscrito do filme no seguinte site:
http://www.reocities.com/projetoperiferia4/critica.htm
"Técnica e esteticamente, os filmes de Debord estão entre as obras mais brilhantes e inovadoras da história do cinema. Mas realmente estão mais para provocações subversivas do que para «obras de arte». Em minha opinião, podem ser qualificados como os filmes radicais mais importantes feitos até hoje, não só por expressarem a perspectiva radical mais profunda do último século, como também por não terem nenhum real paralelo no mundo cinematográfico. Muitos filmes expuseram este ou aquele aspecto de sociedade moderna, mas Debord foi o único que encarnou uma crítica consistente ao sistema global como um todo".
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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Eu, Etiqueta
"Eu, Etiqueta" é um texto atemporal. Retrata a forma como as pessoas encaram a moda, o uso excessivo de marcas que as mascaram e as transformam em objetos descartáveis, em uma coisa. Revela a inconsciente consciência do homem que é dominado pela sociedade de consumo e tratado como um produto de anúncio publicitário, tornando, com isso, obscura a sua real essência e a sua verdadeira existência, ou seja, evidenciando a sua alienação cultural.
EU, ETIQUETA
(CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE)
Em minha calça está grudado um nome
Que não é meu de batismo ou de cartório
Um nome... estranho.
Meu blusão traz lembrete de bebida
Que jamais pus na boca, nessa vida,
Em minha camiseta, a marca de cigarro
Que não fumo, até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produtos
Que nunca experimentei
Mas são comunicados a meus pés.
Meu tênis é proclama colorido
De alguma coisa não provada
Por este provador de longa idade.
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,
Minha gravata e cinto e escova e pente,
Meu copo, minha xícara,
Minha toalha de banho e sabonete,
Meu isso, meu aquilo.
Desde a cabeça ao bico dos sapatos,
São mensagens,
Letras falantes,
Gritos visuais,
Ordens de uso, abuso, reincidências.
Costume, hábito, permência,
Indispensabilidade,
E fazem de mim homem-anúncio itinerante,
Escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É doce estar na moda, ainda que estar na moda
Seja negar minha identidade,
Trocá-la por mil, açambarcando
Todas as marcas registradas,
Todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser
Eu que antes era e me sabia
Tão diverso de outros, tão mim mesmo,
Ser pensante sentinte e solitário
Com outros seres diversos e conscientes
De sua humana, invencível condição.
Agora sou anúncio
Ora vulgar ora bizarro.
Em língua nacional ou em qualquer língua
(Qualquer principalmente.)
E nisto me comprazo, tiro glória
De minha anulação.
Não sou - vê lá - anúncio contratado.
Eu é que mimosamente pago
Para anunciar, para vender
Em bares festas praias pérgulas piscinas,
E bem à vista exibo esta etiqueta
Global no corpo que desiste
De ser veste e sandália de uma essência
Tão viva, independente,
Que moda ou suborno algum a compromete.
Onde terei jogado fora
Meu gosto e capacidade de escolher,
Minhas idiossincrasias tão pessoais,
Tão minhas que no rosto se espelhavam
E cada gesto, cada olhar
Cada vinco da roupa
Resumia uma estética.
Hoje, sou costurado,
Sou tecido,
Sou gravado de forma universal,
Saio da estamparia, não de casa,
Da vitrine me tiram, recolocam,
Objeto pulsante mas objeto
Que se oferece como signo dos outros
Objetos estáticos, tarifados.
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
De ser não eu, mas artigo industrial,
Peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem.
Meu nome novo é coisa.
Eu sou a coisa, coisamente.
Eu sou a coisa, coisamente.
Fonte do texto:
Fonte da imagem: usuariovirtual.blogspot.com
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